
ALERGIA ALIMENTAR
A alergia alimentar tem aumentado em todo o mundo nos últimos anos, afetando cerca de 8% das crianças. Os sintomas podem ser variados e os exames nem sempre são conclusivos, o que pode tornar o diagnóstico desafiador. Dependendo do tipo de alergia, há potencial de sintomas graves, o que torna o diagnóstico preciso fundamental para a proteção da criança. Por outro lado, o excesso de diagnósticos equivocados também traz prejuízos importantes, como exclusões alimentares desnecessárias e potenciais deficiências nutricionais.
Convidamos a Dra. Bruna Rusig (@drabrunarusig), Alergista Pediátrica, para nos explicar sobre os principais pontos de atenção nos quadros de alergia alimentar e como estas crianças devem ser acolhidas no cotidiano escolar. Confira abaixo:
Quais são os alimentos mais alergênicos?
Cerca de 8 grupos alimentares são responsáveis por 90% das reações alérgicas: leite de vaca, ovo, amendoim, castanhas, soja, trigo, peixe e frutos do mar. O gergelim tem ganhado relevância como alergênico emergente, especialmente nos EUA. Apesar de haver crenças populares que alimentos como corantes e carne de porco podem ser alergênicos, na realidade, eles raramente são causadores de alergias.
Quando suspeitar de alergia alimentar?
Há basicamente três formas de alergia alimentar:
– Imediatas: sintomas aparecem em até 2h após a ingestão do alimento e podem envolver: manchas na pele, inchaços no rosto, vômitos, diarreia, tosse, dificuldade respiratória, edema de glote, queda de pressão, desmaios etc. É mais comum no início da vida, mas pode aparecer em qualquer idade.
– Tardias: sintomas iniciam após horas a dias da ingestão do alimento e são apenas gastrointestinais, como cólicas, refluxo patológico, baixo ganho de peso, diarreia, sangue nas fezes, etc. São frequentes nos primeiros meses de vida e costumam melhorar ao redor de 1 ano de vida.
– Mistas: os alimentos podem causar piora da dermatite atópica e de uma doença chamada esofagite eosinofílica.
Como é feito o diagnóstico?
– Imediatas: o diagnóstico se dá pela união entre sintomas clínicos compatíveis, associado a exames (IgE específica) positivos para o alimento em questão. Quando há discordância entre esses dois elementos há a necessidade de realizar o teste de provocação oral diagnóstico, que consiste em oferecer o alimento em ambiente hospitalar, supervisionado por alergista experiente.
– Tardias: NÃO há exames que comprovem esta alergia, então, frente a suspeita clínica deve-se excluir o alimento suspeito por duas a quatro semanas e depois, caso haja melhora dos sintomas, é obrigatório realizar o teste de provocação oral diagnóstico, que consiste na reintrodução do alimento para comprovar o desencadeamento de sintomas. Esta sequência evita diagnósticos equivocados e exclusões alimentares desnecessárias.
Exames positivos significam alergia?
É comum que crianças que ingerem esses alimentos normalmente e sem nenhum sintoma, possam ter exames positivos e isso NÃO significa necessariamente alergia. Uma exclusão alimentar neste caso acaba trazendo prejuízos para a criança e existe até o risco da gênese de uma alergia VERDADEIRA, principalmente se esta exclusão for prolongada (mais de 2 meses). Não deve-se excluir alimentos da dieta das crianças baseado apenas em exames laboratoriais, é preciso sempre avaliar em conjunto com a história clínica.
Crianças com alergia alimentar podem ir para a escola?
Sim! Crianças alérgicas podem e devem realizar todas as atividades que as crianças não alérgicas fazem. Para que tudo seja o mais seguro possível, é importante buscar uma escola que apoie e proteja essa criança, promovendo também sua inclusão. A escola deve preparar refeições específicas para a criança, realizando leitura de rótulos e evitando contaminações dentro da cozinha. Durante a hora das refeições, devem supervisionar possíveis trocas de lanche, sem excluir a criança do convívio com as outras.
Além disso, a escola deve estar preparada para reconhecer e iniciar o tratamento de eventuais reações.
A criança com alergia alimentar pode ter uma vida normal e aproveitar a infância como as outras. Para que tudo seja feito com segurança, é fundamental que os pais, cuidadores e escola estejam bem informados sobre como evitar reações e bem preparados para lidar com elas.